A importância do trabalho das abelhas para preservação da vida

Essa semana recebemos na redação do Meta, a empresária e apicultora, Marcia Maria Moreira Correa, moradora da localidade Passo dos Carros em Butiá, onde possuía 60 colmeias de abelhas (Apis Melíferas) produtivas que sofreram morte repentina, a perda foi de mais de 95% dos insetos nas suas colmeias.

A ocorrência se expandiu também para outras criações, atingindo vários apicultores em um raio de cerca de 3 km, fato ocorrido entre as sextas-feiras (2 e 9). E além da tristeza pela perda das abelhas nasceu também à vontade de conscientizar as pessoas sobre o impacto que a morte de colmeias inteiras podem causar na natureza e na vida de todos nós.

Após buscar orientações junto a apicultores mais experientes sobre essa situação, a Marcia nos contou que procurou na segunda –feira (12) a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, e foi orientada a protocolar uma denúncia do ocorrido na Prefeitura Municipal de Butiá, também foi realizado abertura de Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil. Neste mesmo dia o Secretário de Agricultura e meio Ambiente, Betinho entrou em contato com o responsável pela Inspetoria Veterinária da região que agendou a visita para terça-feira (13) nos apiários para coleta de abelhas mortas para fim de exames laboratoriais.

Na terça-feira (13) foi efetuada a coleta das abelhas mortas pelo responsável pela Inspetoria Veterinária, para serem encaminhadas ao laboratório para análise, mas não foi autorizada no momento por falta de verba do setor responsável.

Na quinta-feira (15) foi protocolada denúncia no Ministério Público, conforme nos informou a Marcia.

Após a negativa em realizar o exame nas amostras coletadas, na segunda-feira (19) as amostras das abelhas mortas que foram coletadas juntamente com o agrônomo da Prefeitura , foram entregues no LARP - Laboratório de Análise de Resíduos de Pesticidas , em Santa Maria, para tentar descobrir o que causou esse efeito devastador nos insetos, laudo que deve apresentar o resultado em torno de 60 dias.

O equilíbrio ambiental em muito depende das abelhas, elas são responsáveis pela reprodução de 80% das plantas, através da polinização (é o transporte de pólen de uma flor para outra, de modo que através dela as flores são fecundadas, começando a desenvolver frutos e sementes), sendo assim fundamentais pelo aumento da produção agrícola que serve de sustento de aves e mamíferos que se alimentam de frutas e sementes. Dois terços, aproximadamente, de alimentos ingeridos são produzidos pela ajuda da polinização das abelhas.

Einstein mesmo dizia, “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana”.

As abelhas têm morrido com a utilização excessiva de pesticidas ou agrotóxicos destinados a matar animais que afetam a agricultura. Da mesma forma, outros produtos químicos utilizados para o crescimento de plantas prejudicam a polinização, colocando em risco o próprio ecossistema.



Fatores que podem estar contribuindo para a extinção das abelhas:

1) Pesticidas (inseticidas, principalmente os neonicotinoides, e fungicidas);

2) Herbicidas (ação indireta, pela diminuição da diversidade de plantas apícolas);

3) Perda de habitat natural;

4) Desequilíbrio nutricional por forrageamento em áreas com baixa diversidade vegetal durante a polinização, principalmente em monoculturas;

5) Fonte de água contaminada;

6)mudanças climáticas;

7) Exposição a ondas da telefonia celular, que ainda carece de estudos mais profundos;

Para a apicultora Márcia agora resta aguardar o resultado do laboratório sobre as amostras, e na fala dela fica claro a preocupação com essa situação.

- As pessoas acham que é só pela perda financeira, mas não é. Preocupa-me as consequências da dizimação de tantas colmeias, e o impacto que isso representa a natureza. Diz Márcia.