Dois extremos: Mc Fioti - Funk / Eric Clapton - rock


Teca Curio

Idealizadora e Comunicadora do App NM Date


Estamos enfrentando um dos maiores desafios da humanidade, uma pandemia mundial que já cerceou mais de 580 mil vidas.

Enquanto lutamos para sobreviver contra o vírus da Covid-19 crescem movimentos negacionistas, anti-vacina, contra uso de máscaras e isolamento social.

Mas o que o funkeiro, Mc Fioti e a lenda do rock, Eric Clapton têm em comum?

Nada, dirão os puristas fãs de música, e até alguns setores de esquerda que afirmam “a favela tem que escutar mais Chico Buarque”, em um ato de total desrespeito à cultura do povo da favela que se identifica naquelas canções.

Eric Clapton não esconde seu negacionismo e desde o início da pandemia de Covid-19 vem a público tentando legitimar um discurso anti-vacina.

Recentemente, o roqueiro britânico mais uma vez surpreendeu seu público com o lançamento de uma música onde expõe sua opinião anti-vacina.

Clapton sentencia no refrão de This Has Gotta Stop, Clapton: “This has gotta stop/ Enough is enough/ I can't take this BS any longer” — em tradução livre algo como: “Isso tem que parar/ Chega é o suficiente/Eu não posso mais aguentar essa besteira.”

O rock, gênero que já teve como marca a contestação política e a rebeldia, hoje vem desmotivando muitos fãs, que não conseguem “passar mais pano”, em atitudes reacionárias e conservadoras de seus ídolos.

O rock envelheceu, e envelheceu mal. Virou uma senhora mal-humorada e ressentida.

No outro extremo temos um dos ícones do funk __, Mc Fioti, que em pleno 2020, início da pandemia, onde a ciência sofria fortes ataques de um governo negacionista e genocida, lançou a canção Vem para o bubu tantan.

Em um trecho da canção, Fioti enfatiza a importância da vacina, da ciência e do Instituto Butantãn.

“Se vacina aí, pô

Nóis tá tipo como?

Instituto Butantã”

Na canção McFioti, não só defende a vacinação, mas também exalta a ciência. O funkeiro fez questão de gravar o clipe da canção no Instituto Butantan, e com todos os funcionários em uma clara homenagem aos heróis que lutavam dia após dia contra graves ataques, tanto dos negacionistas quanto do governo genocida.

Enquanto os experts em música e analistas de gosto alheio, se arrogam em afirmar que funk é lixo e que a favela não pode ter esse estilo musical como exemplo de cultura, McFioti dava exemplo, se posicionando politicamente e pró-vida. Enquanto isso o roqueiro, aclamado como exemplo de estilo culturalmente aceito pelas “elites” de esquerda, fazia o papel contrário do funkeiro que desceu o morro para cantar a realidade da favela e que acabou por cumprir o papel que antes era reivindicado por gêneros musicais feitos por brancos privilegiados.

Enfim qual semelhança entre Eric Clapton e Mc Fioti?

Nenhuma mesmo.

Eric Clapton, um senhor decrépito que usa de seu poder e fama para gerar desinformação sobre um vírus letal.

Mc Fioti, um funkeiro do morro que vem lançar luz na realidade obscura que vivemos, com uma canção simples, mas que cumpre seu papel social com responsabilidade e solidariedade.