Situação e Estimativas do Agro em Butiá


Marcelo Antunes


Passadas as perdas de 2020, quais são as estimativas para o Agro em Butiá no ano que está para iniciar

Estiagem, seca e prejuízo, este ano não foi fácil para os produtores rurais. O Meta Notícias fez um levantamento junto ao Sindicato Rural de Butiá e Minas do Leão, sobre as perdas e as perspectivas do setor.

Segundo Marcelo Antunes, Secretário Executivo do Sindicato Rural, uma das maiores perdas foi a dos produtores de milho, que chegou a 80%, apesar de representar uma área pequena área do município. Já a soja, que é a cultura com a maior área plantada no município teve uma perda de 40%. Como o investimento é maior, consequentemente as despesas também, por isso resultou em sérios prejuízos no período. A melancia teve uma perda de 15% e a bovinocultura de corte teve perda de 5 a 15% no ganho de peso dos animais e, também na reprodução. Já a bovinocultura de leite teve queda de 50% na produção.

Quanto ao arroz a produção foi normal, é uma cultura que depende de água, mas sempre é feito o dimensionamento da lavoura com o reservatório de água, o que evita problemas futuros em caso de seca.

Segundo a Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (FARSUL), a severa estiagem que atingiu o Estado deixou um prejuízo de mais de oito milhões de toneladas no campo. O prejuízo econômico da estiagem em 2019/2020 foi pior do que em outras secas históricas, como em 2005 e 2012.


MAIOR PRODUÇÃO DE GRÃOS EM 2020

De acordo com Marcelo, apesar da queda de 45,8% da produção, que passou de 19,7 milhões de toneladas como expectativa inicial, para 10,6 milhões de toneladas, uma quebra significativa, a soja ainda foi à cultura com a maior produção, seguida pelo arroz que foi a única cultura com dados positivos.

- Esperamos que a nova previsão de estiagem severa não se confirme. Com uma safra normal e as exportações em alta há uma grande chance de recuperação financeira por parte dos produtores, afirmou Marcelo.

Segundo o presidente da FARSUL, Gedeão Pereira, os números mostram que o setor foi capaz de amenizar o impacto das perdas de 2019/2020.

- O produtor está acreditando como nunca na sua atividade. Não vivemos desse passado recente, mas da perspectiva de mercado para 2021, que é excelente para todos os produtos do agronegócio, informou.

Mesmo com o otimismo do setor, de acordo com a MetSul Meteorologia, a influência do fenômeno La Niña que, historicamente, tende a agravar o risco da seca no interior gaúcho, pode se repetir em 2021.

O verão de 2021 deve ter chuva irregular, comum da estação, mas com tendência de ter valores abaixo das médias históricas e déficit de precipitação em muitas áreas. Isso deve deixar o Estado sob um quadro de estiagem e de deficiência hídrica. Em algumas regiões, a estiagem pode atingir níveis de moderada a forte com possibilidade de ser severa em alguns municípios.

Com isso, partes do Rio Grande do Sul devem voltar a enfrentar problemas de falta de chuva mais volumosa com perda de produtividade nas safras de verão, diminuição dos níveis dos rios, risco de escassez de água para consumo, além de risco de incêndios em vegetação e decretos de emergências por seca, apontou a MetSul.